Teledermatologia para tratamento de lesões de pele em idosos institucionalizados é possível?

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Captura de imagem realizada através de dermatoscópio acoplado à celular. Foto: Equipe Assistencial do Asilo de Mendigos de Pelotas

O aumento da expectativa de vida e o consequente aumento da incidência de doenças crônicas na população onde, devido a processos biopsicossociais típicos do envelhecimento, há uma predisposição para desenvolvimento de úlceras por pressão na população idosa. Além disto, cresce a busca por instituições de longa permanência que possam assisti-los. Desta maneira, cabe aos profissionais de saúde que atuam nestes locais desenvolver habilidades para prevenir, identificar precocemente e tratar as potenciais lesões existentes.

A AGM Telessaúde do Brasil Ltda em parceria com o IC/FUC e o Asilo de Mendigos de Pelotas-RS (AMP) implementou uma estratégia de Teledermatologia para identificação e tratamento de lesões de pele em idosos institucionalizados, voltada para profissionais de saúde que atuam na área.

Assim, todos os moradores do AMP tem seus principais pontos de apoio (calcâneos, trocanter, região sacral), bem como qualquer lesão ou mancha de pele existente fotografados através de um do iPhone 5s no momento em que passam a residir na instituição. Para as lesões pigmentadas da pele, conhecidas como pintas ou nevos utilizou-se um dermatoscópio acoplado, chamado Handyscope®.

Todos os pacientes com lesões de pele têm as imagens realizadas semanalmente, quando uma enfermeira consultora (proveniente da AGM), através de uma plataforma online, avalia e sugere condutas. Além disto, foi disponibilizado um programa de capacitação profissional através de uma plataforma de webconferência multiponto, denominada AnyMeeting Pro®. Por meio desta, profissionais assistem a aulas mensais ou conforme demanda, sobre os mais variados tópicos.

A principal limitação encontrada foi o sinal de internet instável, com baixa capacidade para upload, exigindo uma alteração no pacote contratado.  Além disto, percebeu-se também a necessidade de um ambiente propício para a captura de imagens de lesões de pele, bem como a necessidade de capacitação profissional de forma cíclica, uma vez que há pequeno número de profissionais fixos na instituição, uma alta rotatividade acadêmica e certa dificuldade para utilização dos equipamentos.

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Imagens obtidas através do sistema de teledermatologia implementado no Asilo de Mendigos de Pelotas (AMP). A fotografia da esquerda representa o primeiro registro de uma úlcera por pressão em acompanhamento e a segunda imagem, o registro realizado 1 mês após, para comparação do processo de cicatrização. Foto: Equipe Assistencial do Asilo de Mendigos de Pelotas

Com o aumento da longevidade torna-se cada vez mais evidente a necessidade de estratégias que permitam a oferta de serviços especializados à população idosa. Nesse contexto, o uso de tecnologias da informação para dar suporte a serviços de saúde, seja por meio de videoconferência ou estratégias teleassistenciais passou a ser uma opção para auxiliar profissionais, permitindo otimizar tempo e recursos financeiros. Com os avanços tecnológicos, utilizar a fotografia digital aplicada à prática da enfermagem como ferramenta de apoio e suporte para acompanhamento de lesões permite que os profissionais sintam-se mais seguros e satisfeitos com o serviço oferecido.

Patrícia de Oliveira Dias

Enfermeira | Mestre em Processos Tecnológicos e Inovação em Saúde | Enfermeira Coordenadora do Centro de Telessaúde

do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul/Fundação Universitária de Cardiologia – IC/FUC | Lattes

 

Referências

 

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FotoFinder Hub [Internet]. ©2012 [cited on Oct. 2, 2016]. Disponível em: http://tutorial.fotofinderhub.com/handlingapp.html

Merrel RC, Doarn CR. Geriatric telemedicine. Telemedicine and e-Health 2015; 21(10):767-8.

Miyazaki M, Caliri M, Santos C. Conhecimento dos profissionais de enfermagem sob prevenção da úlcera de pressão. Rev Latino-Am Enfermagem 2010; 18(6):01-10.

Schneider RH, Irigarai TQ. O envelhecimento na atualidade: aspectos cronológicos, biológicos, psicológicos e sociais. Estud Psicol 2008; 25(4):585-93.

World Health Organization. Ageing and health [internet]. 2015 [cited on Sept. 13, 2016]. Available from: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs404/en/

 

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