Como avaliar serviços de telessaúde no Brasil?

pexels-photo-187041Ações de telessaúde tem aumentado ultimamente. Porém, o conceito de telessaúde abrange uma série de serviços, envolvendo tecnologia da informação e comunicação no cuidado em saúde. Serviços esses, que exigem nova abordagem de qualificação de seu impacto na redução do problema de saúde – agravo ou doença, em questão. Esses serviços são executados por uma equipe multiprofissional, que envolve novos atores e áreas de conhecimento no cuidar e no curar. Esse caráter do serviço de telessaúde exige uma avaliação diferenciada, holística e multidisciplinar, contemplando práticas e saberes da saúde coletiva. Esse campo do saber e seus avanços no tratamento transdisciplinar dos problemas de saúde talvez tragam respostas.

Torna-se necessário ouvir os diferentes atores envolvidos nesses serviços, comparar os modelos de avaliação mais utilizados. Nesse sentido, várias experiências brasileiras e em outros países vem sido aplicadas. No caso brasileiro, aplicou-se de maneira local, não contemplando a diversidade territorial. Os investimentos necessários para pesquisas qualitativas de grande porte são escassos aqui bem como muitas propostas carecem do rigor científico necessário para sua execução. Uma conferência de consenso, baseada na literatura recente, bem conduzida com uma amostra de conveniência, mas representativa da heterogeneidade de iniciativas de telessaúde no país pode ser um passo importante.

A iniciativa de uma conferência de consenso a fim de amadurecer um modelo avaliativo necessita de monitoramento da aplicação desse modelo, assim como o estimulo à aplicação dele em diversas situações. Necessita de investimento em recursos humanos de pesquisa e recomenda-se que seja feito por um grupo experiente de pesquisadores afeitos ao tema. Um modelo de avaliação deve ser sempre adaptável e está em constante transformação. É o trabalho de uma ou várias vidas. Correm-se alguns riscos da iniciativa não dar certo: se a amostra não for representativa; bem como os atores/especialistas escolhidos serem induzidos ao consenso de maneira autoritária.

Meu trabalho acadêmico (2013), assim como de outros brasileiros Gundim (2009), Oliveira (2010), Castro Filho (2011) e Brito (2016) versam sobre como avaliar a telessaúde sob várias perspectivas. As respostas, indagações, metodologias e técnicas de pesquisa apresentadas nessas investigações (teses de doutorado e dissertações de mestrado) foram utilizadas concomitantemente por outros pesquisadores no mundo inteiro.  Cabe aos pesquisadores experientes e aos demais interessados no tema telessaúde fazer uma síntese dessas iniciativas e realizar um consenso no território brasileiro aos moldes no que acontece para se estabelecer diretrizes clínicas em outras áreas das ciências da saúde.

Angélica Baptista Silva

Doutora em Saúde Pública |Coordenadora do Laboratório de Telessaúde do

Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/FIOCRUZ) | Lattes

 

Referências

Ekeland AG, Bowes A, Flottorp S. Methodologies for assessing telemedicine: A systematic review of reviews. International Journal of Medical Informatics. 2012 Jan;81(1):1–11.

Gundim RS. Gestão dos fatores determinantes p ara sustentabilidade de centros de telemedicina [Internet]. [São Paulo]: Universidade de São Paulo; 2009. Available from: http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&frm=1&source=web&cd=3&ved=0CG4QFjAC&url=http%3A%2F%2Fwww.teses.usp.br%2Fteses%2Fdisponiveis%2F5%2F5144%2Ftde-01042010-164018%2Fpublico%2FRosangelaSimoesGundim.pdf&ei=RcnhT6T1MYbk9ASc7oyGCA&usg=AFQjCNF-rZ5zsv55TiSoCByFqW_aV0DZ6g&sig2=dvxgHB0fAHUYESQK9TgjFQ

Silva AB. Telessaúde no Brasil: Conceitos e Aplicações [Internet]. DOC Content; 2014. Available from: https://books.google.com.br/books?id=0nfgDQAAQBAJ

 

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